quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Chennai - Mysore

 
 
30 de Setembro - Shatabdi Express para Mysore
 
Em Mamallapuram adormecia ao som das ondas, na estação de Chennai ia dormindo com os anúncios na língua tâmil ao que presumo serem saídas de comboios e informações sobre plataformas, alternadas com pequenos trechos de musica clássica, tipo valsa. Vem à minha mente a confusão que deve continuar noite fora no piso de baixo e como esta musica tranquila, alegre e descontraída parece algo de burlesco e irónico.
 
O comboio sai às seis da manhã, é confortável, espaçoso e servem pequeno-almoço e almoço que está incluído no preço do bilhete. Cerca de 6 ou 7 horas depois estou a chegar a Mysore emais uma vez mudo de Estado, passo de Tamil Nadu para Karnataka, em vez da língua tâmil, passo a ouvir kanadá, a lingus oficial de Karnataka. Estamos em, plenos festejos do Dushera, muito celebrado em Mysore, festival que celebra a vitóriade de Ram sobre o demoníaco Rei do Sri Lanka que lhe raptou a mulher., e muitos indianos de outras cidades e outros Estados vieram passear e assitir a um dos momentos altos do festival nesta cidade, a iluminação do Palácio Real.
 
Fico instalada no Hotel Grand Inn e embora não seja um hotel de luxo, mas é também a antítese do dormitório onde passei a noite anterior. Os hotéis da cidade estão quase todos cheios. O Grand Inn está muito bem, localizado, a cerca de 5oo m do Palácio e também muito próximo do Grande Mercado.
 
O Palácio é imponente e aproveito o fim da tarde para o visitar. Tenho que o contornar, até dar com um dos 4 portões  e único que está aberto para as visitas. Neste percurso conheço o Sachu, consultor e os 2 amigos, que vieram de Hyderabad e na bilheteira como não tenho troco, oferece-me-me o bilhete...como indiana, Na realidade os indianos pagam 10 rupias enquanto que os estrangeirtos pagam 250 rupias. Pergunto ao Sachu como é que vou passar pelo funcionário à entrada do Palácio, mas ele apenas me diz para os seguir. Tal como eu esperava, o funcionário questiona-me porque tenho um bilhete de indiana, ou seja, a coisa deu para o torto. Não sei que explicação o Sachu deu ao funcionário mas acabou por dar meia volta e ir comprar-me o bilhete para estrangeiros. Visitamos o Palácio juntos e cada sala que atravessamos dá lugar a um esgar de admiração. Cada sala é mais bonita que a outra, pilares esculpidos , pinturas e quadros que adornam as paredes, tapetes cravados com pedras preciosas.
Fora do Palácio decorrem os preparativos para o Dushera. Estão a montar um palco e fico a saber que vai haver um espectaculo de musica tradicional indiana. Também estão a colocar cadeiras de plástico.
No inicio da noite quando volto, ainda assisto um pouco ao concerto de musica tradicional e de repente a meio de uma musica, o Palácio transforma-se num arraial de luz. Tudo à volta do Palácio e pela cidade fora está com iluminações e as ruas inundadas por gente. Vive-se o Dushera. A Vitória do Bem sobre o Mal.
 
 
Palácio Real à noite

Palácio Real em Mysore no festival do Dushera
 


 




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Iluminações do Dushera vistas do Restaurante

domingo, 5 de outubro de 2014

Chennai.

 
 

29 de Setembro - Um dia na estação


De manhã, às sete, estou de novo a tomar banho toda vestida. O céu tambem vestiu uma neblina, mas nem por isso a temperatura arrefeceu.. Não tarda muito, vejo as miudas indianas a descerem os degraus que do rés do chão da guesthouse, já meio degradados, dão acesso à praia. Já não sou a unica dentro de água. Elas chapinham todas contentes da vida, enquanto o pai as vigia da varanda, e pouco depois a mãe já desce tambem para o areal. Trocamos os habituais cumprimentos e sorrisos e volto a sentir o desconforto da roupa molhada e salgada no corpo.

Ao meio dia faço o check-out e apanho um riquexó até à estrada onde há-de passar a camioneta para Chennai. A camioneta vem atolada e consigo um lugar exiguo ao lado de uma familia com uma criança pequena, mas o meu corpo está metade no banco e metade fora. A viagem até Chennai demora cerca de 2 horas, mas metade do termpo é para atravessar a cidade que parece que não tem fim. São ruas, avenidas, viadutos, sempre num frenesim constante de veículos e pessoas. E que a cidade me perdoe se estou a ser injusta, mas fico alividada por não passar tempo neste caos. Aliás, o meu dia bem se podia chamar “Estação de comboios”, tal como o “Aeroporto” do Tom Hanks. Chego às 14.30 à caótica estação central e o meu objectivo é pernoitar aqui mesmo para às 6 da manhã do dia seguinte partir no Shatabdi Express até Mysore, já no Estado de Karnataka.

Carreagadissima com as mochilas dou algumas voltas à estação, perguntando aqui e ali, até dar com os Retiring Rooms que são no piso superior. O funcionário anuncia que os quartos privados estão cheios e para ficar no dormitório, só devo aparecer por volta das 19 horas.

Primeira coisa a fazer: livrar-me do peso e procuro o depósito de bagagens, mas dizem-me que primeiro a bagagem tem que passar pelo tapete da segurança electronica, que é do outro lado da estação. Cumprido o procedimento, liberto-me finalmente da mochila e vou sentar-me na sala principal, uma divisão enorme repleta de pessoas que stão sentadas nas cadeiras, estendias no chão, em pé, de um lado para o outro...uma verdadeira massa humana que chega a confundir os sentidos. Como aqui não há ar condicionado, depressa me sinto desconfortável sentada na cadeira que ainda por cima é escorregadia. Depois de deambular mais um pouco pela estação descubro uma sala reservada com ar condicionado a pagantes, 30 rupias por hora e as seguintes 20 rupias cada. Fico aqui uma hora e começo a ter fome. Há algunsa sitios onde comer: uma cantina, algumas banquinhas que vendem comida empacotada e salgados e doces com moscas famintas, e descubro um restaurante vegetariano com piso superior com cadeiras e mesas com bastante gente. Há muita gente, quer sentada nas mesas a devorar thalis com as mãos, como empregados que eficientemente vão servindo e recolhendo loiça. Peço um biryani de vegetais que vem bastante picante. Entretanto sentam-se à minha mesa a Issta e o marido que são de Chennai. A Issta mete logo conversa comigo, com as perguntas habituais, como me chamo, o que estou a fazer na India, se estou sozinha, se estou a gostar, qual a minha profissão...

Dou mais algumas voltas e a confusão de gente é efectivamente grande. Estamos no Dushera, um festival religioso que dura 10 dias e muita gente está de viagem. Quando são quase sete horas.vou recolher a mochila e volto a subir ao segundo piso, e o funcionário diz-me que não estou a cumprir com o que me disse, estar ali às 20 horas...Das 19 passou para as 20. Fico desmotivada. Indica-me a sala de epsera logo ali ao lado, só para mulheres. Arrasto-me até lá, mais uma sala com cadeiras de plástico, mas uma varanda muito agradável, mas está tanto calor que me sento na cadeira à espera. As mulheres conversam, carregam telemóveis nas tomadas à entrada da sala, dormem e há a Merin de 14 anos que me vem pedir àgua. Ficámos a conversar até às 20. A Merin diz que mãe que està deitada mais à frente a dormir foi furtada na viagem de comboio anterior enquanto dormia. Agora estão mais umas quantas horas à espera de outro comboio. Estão a aproveitar os feriados religiosos para viajar até Kerala para passear e visitar familia, ela, a mãe, o pai que está lá fora e a irmã de 16 anos que está na varanda. A Merin parece ser muito inteligente, gosta muito de ler e faz-me questão de mostrar os 2 livros que trouxe consigo e ainda confidencia que ali perto da estação há um par de ruas só com livrarias. “É uma tentação!”, exclama entusiasmada. Quer saber se no meu País, podemos escolher os namorados e diz que na India não é possivel, mas que tem sorte, porque os pais são de mente muito aberta e por isso ela não vai ter esse problema, aliás confidencia-me ainda em tom mais baixo que já teve um namorado lá na escola, mas que agora não se falam. Ficamos mais de 1 hora à conversa.

Às 20 horas consigo finalmente o quarto no dormitório, um cubiculo com uma cama muito estreita encostada à parede, por baixo de uma ventoinha e um aparelho de ar condicionado, separado do outro cubiculo por uma parede que não chega ao tecto. Para alem dos cubiculos, há a casa de banho e a sala do chuveiro. Por 265 rupias, não podia exigir mais...
 
 
 
Camioneta de Mamallapuram para Chennai

 

Estaçao Central em Chennai


 

Issta e o marido no Restaurante da Estação




 


Estação de Chennai


 

Dormitório na Estação de Chennai

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Mamallapuram

 

 

28 de Setembro - Mamallapuram,
 
 
São mágicas as noites dormidas neste lugar. Está mesmo em cima do mar, é quase como se tivéssemos num barco e o mar não tem dó nem piedade quando rebenta no areal e nas rochas que separam a guesthouse dele e durante a noite é esse som que me embala o sono, som forte e rude, mas ao mesmo tempo apaziguador.
As sete da manhã, já o Sol acordou há um bom pedaço, arrojado,que de tímido nada tem este Sul Indiano. Tinha combinado com a Sara e o Tobi tomarmos banho juntos, mas o casal deixou-se dormir e quem me faz companhia nos mergulhos matinais é a família indiana do outro quarto. O pai está em calções e tronco nu, mas a mãe e as filhas completamente vestidas. As garotas estão muito entusiasmadas e saltam para dentro de água aos risos, chapinham, empurram-se uma à outra e até convencem a mãe a entrar na brincadeira.ortável.
Faço como elas, entro na água vestida, com umas bermudas e um top. A temperatura é irresistível, apesar de a corrente ser um pouco forte, mas a roupa cola-se ao corpo e pouco depois torna-se um pouco desconfortável. Sento-me nas rochas e observo a os meus vizinhos de Chennai. O pai já se retirou para o quarto; a mãe vigilante observa as filhas também sentada numa rocha e parece-me que as miúdas não se sentem minimamente desconfortáveis com as roupas molhadas pois não saem da água.
Quando vou tomar o pequeno-almoço ao restaurante do guesthouse situado no terraço, cruzo-me com a Sara e o Tobi que estão quase de saída, para Pondicherry e acabamos por comer juntos e partilhar mais umas conversas.
Depois da despedida também saio, mas para conhecer os templos. Alcanço rapidamente pela praia o Shore Temple, todo escavado na pedra, e a sofrer as amarguras de uma vida inteira virada para o mar, cada vez mais próximo dele. É um templo pequeno mas ricamente esculpido, e nasceu no sec. VIII. Aprecio os três altares, dois deles dedicados a Shiva e um a Vishnu deitado a dormir. Uma fila de Nandis, o touro, veículo usado por Shiva, contorna de uma forma vigilante o belo templo. Há muitas famílias indianas a deambularem por aqui e uma delas vem pedir-me para tiramos uma fotografia juntas.
No centro da cidade, e aqui faz-se tudo muito bem a pé, pois é uma cidade de pequenas dimensões, passo por uma manifestação. Ao que parece, uma ministra foi detida em Bangalore e tem sucitado vários protestos em Tamil Nadu, mas não sei os pormenores.
Em Mamallapuram há uma rua e depois mais uns quantos becos virados para o turismo mochileiro, com muitas casas coloridas a servirem de guesthouses, restaurantes e lojas de souvenirs, no entanto, poucos estrangeiros vejo, mas sim  mais turistas indianos.
Almoço no Restaurante Gecko e a esta hora já o calor é sufocante, mas ganho coragem para visitar o Mamallapuram Hill e os 5 Rathas.
O Mamallapuram Hill é uma colina ocupada por pequenos monumentos escavados na pedra. A atracçao princpal parece ser a Butterball, uma pedra imensa que parece estar suspensa e rolar pela ravina a qualquer momento, mas a verdade é que já lá está há muitos anos e acaba por proporcionar sombras muito agradáveis a quem se senta debaixo dela a esta hora de um Sol impiedoso.
Há muitos vendedores de pedras por aqui. Vendem pedras do deus Ganesha, do Sol, dos animais,  para adornar cordões à volta do pescoço, mas a ambição maior é convencer as pessoas a vistarem as lojas onde ganham comissões, e convencê-las a levar estátuas maiores. Há dezenas de lojas, lado a lado a venderem estas estátuas de pedra e mármore, e homens estão lá dentro ou à porta a esculpir mais trabalhos.
Outra peça emblemática de Mamallapuram Hill é o Arjunas  Penance, um trabalho incrível esculpido todo ele em pedra que representam cenas da Mitologia Hindu e do dia a dia da vida no Sul da India.
Passo por mais lojas de pedra e mármore, ouvindo o martelar na pedra, até chegar às 5 Rathas, que significa carruagens, todos esculpidos em pedra bruta. Cada um destes 5 monumentos do sec VII, foi dedicado a um deus Hindu, mas agora recebe o nome dos Pandavas, os cinco irmãos heróis de uma das histórias mais envolventes para os Hindus, o Bhagavad Gita.
Volto para o guesthouse e da varanda vejo alguns surfistas no meio da sondas, bem como muitas famílias indianas. É domingo e o prazer de um fim de tarde na praia é comum a todas as nacionalidades.
Onde estavam a Sara e o Tobi, agora esta um senhor, tambem alemão que está a fazer voluntariado nas aldeias aqui próximas, que são muito pobres.
Volto a adormecer com o mesmo som inquietante e ao mesmo tempo reconfortante das ondas do mar a arrebentarem no areal debaixo da varanda.
 
 
 
Praia de mamallapuram


 

Shore Temple



 

Shore Temple


 

Bola de pedra suspensa em Mamallappuram Hill


 

5 Rathas


 

Templo em Mamallapuram Hill



Vista do Shore Temple

Pondicherry - Mamallapuram


27 de Setembro

De manhã, a Lisa conta-me como foi a meditação e fico com pena de não ter podido assitir. Conta-me que todos se sentaram num pátio exterior dentro do ashram com plantas e árvores e que os vinte minutos de meditação se resumiram a isso mesmo: unicamente meditar, todos sentados de olhos cerrados numa viagem dentro de si mesmo sem qualquer orientação ou instrução.
Despeço-me da Lisa, que entretanto me conseguiu uma reserva num sitio que adorou em Mamallapuram de onde veio.
Apanho mais uma camioneta, esta um pouco em melhor estado que as anteriores, com vidros e bancos ligeiramente mais confortáveis. A viagem não é muito longa, são cerca de duas ou três horas. A estrada segue junto à costa e a paisagem é tropical com muita vegetação densa e um palmeiral vasto. A camioneta para na estrada à entrada da pequena cidade e poucos metros depois de sair dela, apanho um autorriquexó até ao Sri Harul Guesthouse, que a Lisa me fez o favor de reservar em Pondicherry. É o próprio dono que me vem receber, simpático e descontraído e mostra-me o quarto e fico logo satisfeita. É um quarto simples mas com uma varanda mesmo sobre o mar e a vista é impressionante. Do lado direito o areal estende-se até ao Shore Temple, situado mesmo sobre o mar e do lado esquerdo a praia a perder-se de vista ocupada com os barcos dos pescadores e abrigada pelo palmeiral. Alguns surfistas desafiam a corrente que parece um pouco forte e alguns banhistas indianos também tomam banhos, as mulheres mais vestidas do que eles, mas todos muito bem dispostos com a temperatura morna das águas.
O meu quarto está encaixado no meio de dois, e porisso tenho uma varanda de cada lado. De um lado, está uma família indiana de Chennai, um casal com duas filhas que chegou pouco tempo depois de mim e parece combinado, o casal da outra varanda, jovens alemães, a Sara e o Tobi, também chegaram quase na mesma altura.
O Tobi parece exausto e dorme no chão da varanda, enquanto ela me vai contando que chegaram há três dias à India e que estão no incio de uma viagem de quatro meses. A India não é novidade para a Sara, que fez voluntariado durante alguns meses em Auroville, e agora está a regressar para passear e visitar alguns amigos que fez durante esse tempo, mas a viagem deles ainda há-de passar pelo Nepal e Nova Zelândia.
Vou dar um passeio pela praia até à vedação que cerca o Shore Temple. Durante o caminho sou abordada por várias pessoas, que me querem vender colares e pulseiras, ou simplesmente saber de onde sou e como me chamo. Junto ao templo, um homem sai de uma loja que vende sobretudo estátuas em pedra, quase todos deuses, e convida-me a ir visitar o "Museu"... Sinto-me cansada com o calor e a humidade e a persistência dos vendedores e regresso ao guesthouse e na varanda combino jantar com a Sara e o Tobi no restaurante do terraço do mesmo.
Comemos, conversamos, jogamos dados e cartas, enquanto a noite engoliu por completo a praia, e não fosse o som poderoso das ondas a bater no areal, até duvidaria da sua existência ali mesmo ao lado.



Varanda do quarto do guesthouse

Vista da varanda do quarto...com o Shore Temple na encosta

 

Jantar com a Sara e o Tobi

 

Vista da varanda, o mar como chão
 
 
 

Barcos de pescadores na praia de Mamallapuram



 

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Pondicherry


26 de Setembro

Foi uma óptima decisão ficar no ashram. Para alem de um quarto grande e limpo, tenho uma varanda com vista para um jardim muito agradável e bem tratado e mais à frente, separado por uma vedação e um caminho arenoso, o mar. Para alem disso está situado junto à Avenida Goubart, ou seja, a avenida que corre pararela à praia e a 2 ou 3 quarteirões do charmoso bairro françês. Ex-colónia francesa, mantem ainda bastante do seu ar françês, na arquitectura das casas senhoriais, nas igrejas e até na gastronomia, com algumas pastelarias que vendem croissants.
O ashram tem contudo algumas regras. È acima de tudo um lugar de oração e meditação. Este foi criado por Sri Aurobindo e uma mulher de origem francesa, a quem chamam de “Mãe”, e com qualquer outro ashram, não se pode entrar depois das 22.30, não de pode fumar, beber alcool, tomar drogas, fazer barulho, sobretudo à noite. No jardim podemos fazer yoga e ainda há uma sala de meditação, uma sala de leitura e uma cantina arejada de frente para o mar, onde se podem tomar refeições económicas. A propria dormida é económica, pago apenas 800 rupias por cada noite.
Algumas tabuletas com regras vão aparendo pelo caminho ao longo do edificio: Hoje é um bom dia para deixar de fumar; Poupe água.
Na cantina enquanto tomo o pequeno-almoço depois de te ter feito yoga no jardim diante da estátua de um deus hindu, reparo que em cima de cada mesa está uma tabuletazinha em plástico com o numero da mesa de um lado e uma frase de Sri Aurobindo do outro: Cada novo amanhecer é uma possibilidade para um novo inicio; a verdade só pode ser conhecida no todo.
Pondycherry é uma cidade agradável. Fora do bairro françês é um pouco mais confuso mas ainda assim bem mais tranquilo do que as cidades que visitei anteriormente, e portanto faz-se bem tudo a pé. Do legado françês fazem parte a Igreja Nossa Senhora dos Anjos, a Catedral e a Basilica. A igreja em tons de azul celestial, a catedral em dourado e branco e a Basilica, a mais imponente, em castanho e branco. Na Basilkica está a decorrer uma missa em tamil. Entro muito silenciosamente e procuro um lugar com os olhos, mas parece estar cheia. Há muita gente já sentada no chão. Sento-me tambem. Vários ecrãs espalhados e afixados nos pilares vão dando imagens mais proximas do altar enfeitado e do padre de longas barbas grisalhas que vai dando a missa.
Um pequeno sacristão, uma criança ainda, está defronte do altar e escuta atentamente a oração.
A mesma intensidade com que os hindus sul indianos vivem a religiosidade, o mesmo se passa com estes cristãos.
Seguem-se cânticos, oiço um pouco e retiro-me.
Regresso ao ashram. É dificil de suportar o calor e consigo refrescar um pouco na varanda, à sombra e a sentir a brisa do mar.
Conheço então a Lisa. Ao que parece, acabou de chegar e ocupou o quarto ao lado, e a varanda do quarto dela faz esquina com a minha. É australiana e anda a viajar por algumas semanas e agora está sozinha. Combinamos em ir a Auroville por volta das quatro horas. Auroville é um desse projectos idealistas de vida de acordo com principios como a paz e harmonia. Mais de 2000 pessoas vivem aí e 60% são estrangeiros e vivem em comunidade, de acordo com principios tambem ecológicos. Fundada pela “Mãe” em 1968, fica a cerca de 12 km de Pondy e ambas estamos curiosas e expectantes com esta visita. Mas infelizmente quando vamos saír para a visita, na recepção informam-nos que já é muito tarde para irmos. Lisa ainda me tenta a convencer a irmos no dia seguinte de manhã, mas já tenho planos para seguir para Mamallapuram logo de manhã.
Enquanto bebemos chá na cantina do ashram, combinamos em ir assistir a uma sessão de meditação no ashram principal de Sri Aurobindo. É às 19.30, e assim enquanto a Lisa vai passear pela cidade e fazer a volta que eu fiz de manhã, eu volto para a varanda, mas passado um tempo, reconheço que estou a abusar da preguiça e resolvo ir a uma aula de yoga, recomendada pela recepçãp do ashram.
A vantagem desta cidade e do local onde estou, é que posso fazer tudo a pé.
Rishi, assim se chama o local onde se pode praticar yoga e tambem fazer massagens e tratamnetos de beleza.
Entro por uma espécie de garagem e uma rapariga pede-me para esperar, mas aviso que não posso esperar muito, são seis horas e combinei com a Lisa estar às 19.15 no ashram para a meditação. Ela vai chamar o mestre de yoga, o Sumesh, de baixa estatura, sorridente e com ar tranquilo. Subimos uns três ou quatro pisos, até chegarmos a um terraço amplo e ele de imediato traz duas esteiras e percebo que vou ter uma aula individual. Está a entardecer e corre uma brisa suave. Está mesmo um fim de tarde perfeito para o yoga. Observo as antenas tortas e os cabos enrolados nos tectos dos outros prédios, antes de me concentrar nos asanas e prayanas que o Sumesh me vai instruindo. O tempo passa depressa, e tenho que andar em passo rápido para o ashram. Consigo chegar às 19.30, mas os portões do ashram já estão encerrados e o porteiro todo vestido de branco avisa-me com rigor que eu devia ter chegado às 19.15. Fico desiludida e volto para o ashram pela marginal que a esta hora já está cortada ao trânsito.
Sexta feira, fim de dia, e o local está ao rubro. Muitos indianos, casais e familias e grupos de jovens aproveitam para passear junto ao mar. Os vendedores, no caminho de terra batida junto ao aglçomerado de rochas negras que leva ao mar, com os seus carrinhos, vão chamando os clientes para um gelado, saladas de frutas servidas em copos de plástico, bebidas e até comida quente.
Volto à tranquilidade do ashram.

Bairro francês em Pondicherry
 

Missa na Basilica

 

Avenida Goubert em Pondicherry

 

Varanda e jardim do ashram


 

Bairro francês em Pondicherry

domingo, 28 de setembro de 2014

De Thanjore a Pondycherry

25 de Setembro

O qurarto do hotel Vali tem uma ventoinha no tecto, mas como o ar é muito quente, o ar que circula é quente também.
Acordo perto das oito, acabo de arrumar a mochila e como e bebo chá no restaurante no rés do chão. Espera-me um dia relativamente incerto. Quero ir para Pondicherry e há-de ser de autocarro, mas não sei ainda quanto tempo vou demorar. Na recepção dizem que há muitos autocarros, mas não sabem mais informações. Apanho então um riquexó para a estação de camionetas e fico decepcionada quando me informam que o autocarro só sai às 9.50, ou seja, tenho meia hora de espera. Um dos funcionários indica-me aponta-me para uma suposta sala de espera. É um cubiculo com cadeiras poeirentas e cartões no chão e hesito, mas olho à volta...então e espero onde? De pé, junto aos vendedores de frutas, bolachas e chás da estaçao? Ou no chão, como muita gente faz, sentada ou deitada. Resigno-me e ocupo apenas um pedaçinho da cadeira, mas passado um tempo, as costas começam a queixar-se, ignoro o pó acumulado durante anos na cadeira e recosto-me. O autocarro pelo menos é pontual. Já sei nesta altura que tenho que viajar até Chidambaram, cerca de quatro horas de viagem, e depois aqui mudar para outro autocarro. As cidades pelas quais passo são muitas. Parecem todas iguais. As casas estão construídas quase em cima da estrada e as lojas sucedem-se umas às outras. Placas coloridas anunciam os espaços, muitas vezes com desenhos de homens ou mulheres, ou fotografias e anunciam coisas como por exemplo “Freinds Electronic”. Vende-se equipamento electrónico; telemóveis; frutas e legumes; mercearia; sarees e kurtas; panelas e tachos; joalheria; tudo e mais alguma coisa, à beira da estrada, ou em lojas fechadas com montras ou mesmo em banquinhas. Alfaiates há muitos. Tambem estão em plena actividade nas suas máquinas de costura,sobre a estrada.
Passamos por Kumbanakoram onde tambem há um templo importante. Mas templos menos importantes, avisto-os ao londo de todo o caminho, no mesmo tipo de arquitectura sul indiana, com um goparam mais ou menos alto, esculpido de deuses e figuras coloridas que contam histórias do sagrado Hindu.
Tenho plena consciênsia do Please Horn, mas o motorista deste autocarro abusa e ainda por cima é uma buzina particularmente sonora e aguda. Ponho-me a contar o tempo que passa de uma buzinadela para a outra e faço uma média, será de 20 em 20 segundos...e estou a ser generosa. Há claro tambem as buzinas dos outros veículos mas esta irrita-me particularmente e são mais de 4 horas neste verdadeiro tormento auditivo. Quando penso que fiquei surda, lá vem mais uma para provar que não estou mesmo. Estas estradas têm muito trânsito e a buzina é um meio se ser notado e tambem de afastar os outros do caminho. Já não aguento mais...Passadas três horas, pego no MP3 e verifico chocada que está quase sem bateria. Ponho o som no máximo e embora não afaste o som das buzinas, mas pelo menos atenua. Rezo para que a bateria dure, mas a minha oração é em vão, passado poucos minutos, desliga-se de vez. Volto ao som das buzinas...
Là fora continuam a passar por mim muitos edificios, muitos hoteis, vegetarianos e não vegetarianos e tambem com ambas as opções, é o que anunciam em placas coloridas ou escrito nas próprias paredes a tinta.
Mais uma paragem. Entram vendedores de amendoins torrados embrulhados em papel de jornal em forma de pequenas pirâmides, mornos e saborosos e de pipocas. Mas o mais opriginal é um vendedor de uns elásticos para o cabelo que se faz acompanhar de uma cabeça de um manequim com uma farta cabeleira negra e vai demonstrando in loco os penteados imaginativos que o elástico pode fazer. As mulheres parecem interessadas a ver, mas nenhuma compra o elástico.
Em Chidambaram troco de autocarro e demoro mais de duas horas a chegar a Pondycherry, ex-colónia francesa, à hora de ponta numa Quinta feira de fim de tarde.
Instalo-me no Park Guesthouse, um dos ashrams de Sri Aurobindo.


Imagens de Kerala e Madurai, os primeiros dias de viagem:


Restaurante típico em Madurai

Praia de Cherai em Kerala

Pormenor do templo Meenakhsi em Madurai

Maquina para preparar sumos de cana de açucar em Madurai






 

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Tanjore


24. Setembro 2014

Apanhei um autocarro governamental de Madurai para Tanjore, às sete e pouco da manhã. Estes autocarros governamentais são todos muito parecidos, normalmente coloridos, já muito antigos, nenhum prima pela limpeza e têm a particularidade de não terem vidros, o que até sabe bem com este calor, e são muito económicos. Parece que estão quase sempre a saír, no entnato, demoram muito tempo a chegar a qualquer destino, pois páram em muitos sitios e as estradas são estão em mau estado e têm sempre muito trânsito.
Paguei pouco mais de 1 € para uma suada viagem de 4 horas.
Apanho um riquexó motorizado para o hotel Vali, situado no fim de um beco tranquilo, depois de passar por uma meia duzia de pequenas oficinas de mecânica de bicicletas e motas.
É nesta moradia pintada de verde com quartos simples mas económicos que vou passar uma noite. Na realidade, o quarto não chega aos 8 € a noite e por isso não fico surpreendida com a cama muito estreita encostada à parede pintada de verde, debaixo de duas janelas com vidros opacos sem cortinas, a espécie de escrivaninha com a cadeira de plástico e a casa de banho muito antiga, mas ainda assim espaçosa.
No Restaurante do hotel como o pior Aloo Gobi da minha vida.
O calor desmotiva.me a saír para a rua, mas não tenho muito tempo em Tanjore, saio ja´amanhã de manhã e quero visitar o Palácio Real e o templo Brihadeshwara ( tenho dificuldade em memorizar estes longos nomes sul indianos ). Apanho um riquexó para o Palácio Real e o motorista em vez de me deixar à entrada, debaixo da arcada pincipal onde está a bilheteira, deixa-me junto à entrada do Museu.O Complexo é constituido por sete secçoes e precisamos de comprar 4 bilhetes o que torna a visita um pouco confusa. Construído no séc XVI pelos Nayaks, uma das dinastias que reinou no Sul da India, é consituido pela livraria Saraswathi Mahal, pela torre sineira, pelo Museu que exibe uma importante colecçao de estátuas em bronze, como por exemplo o casamento de Shiva com Parvati.

Museu do Palácio Real
Mandapa Hall no Palácio Real

SARASWATHI - DEUSA DO CONHECIMENTO

 
Cruzo-me com alguns turistas indianos e um grupo de estrangeiros com guia. Um dos indianos com quem me cruzo é Sanju. Voltamos a encontrar-nos à saída do Palácio quando me pergunta se vou ao templo e como vou. Respondo que de riquexó. Diz que não vale a pena, que é muito perto e dá bem para ir a pé. Junto-me então a ele e ao seu colega, um jovem estudante universitário com ar espevitado. Tambem penso que Sanju é estudante, mas na realidade já trabalha e trabalha numa empresa de equipamento de hemodiálises como coordeandor. Mal saímos do complexo Real, um motorista de riquexó mal encarado aborda-nos. Pressiona-me a entrar no riquexó, mas Sanju e o colega dizem-lhe que vamos a pé. O motorista exalta-se, e começa a gritar em tamil e os rapazes respondem em hindi tambem. Sei que sou o motivo da discussão, mas limito-me a observar e o motorista exalta-se ainda mais e acha, vai-se lá saber porquê, que tenho que entrar no seu riquexó. Ignoro-o e continuo a andar e ele acaba por desistir.
Alguns minutos depois, estamos junto ao impressionante templo da dinastia dos Chola, construído no sec XI.
Estou mesmo com vontade de apreciar o templo sozinha e digo ao Sanju e o colega para continuarem a visita sem mim. Fico para trás, maravilhada com este templo, dedidado a Shiva e que é património da Unesco e demonstra bem a riqueza económica e artistica dessa dinastia. O gopuram principal tem cerca de 60 metros de altura.
Gopuram no templo
Templo ao fim da tarde
Detalhe do gopuram


Templo Brihadeswara